Processos de desconstrução
- Valentina Asmus

- 28 de out. de 2022
- 2 min de leitura
Reconhecer o sentimento de culpa, mesmo quando reconheço que ele não deveria estar lá é um processo que me ajuda no desenvolvimento de um caminho mais leve

Quase tudo nessa vida passa por dois períodos marcantes: o primeiro a solidificação de nossas crenças e a partir delas as construções de nossas verdades. Elas são a nossa forma de expressão, a forma como enxergamos e manifestamos. O segundo é o caminho reverso. Expostos ao mundo e à existência existe eventualmente o caminho de desconstrução daquilo que somos.
O que aqui chamo de processo, de ir e voltar, é uma investigação. Para isso é preciso terreno firme, fundações de suporte. Dificilmente se desconstroem crenças de forma sutil. A desconstrução é vendaval que varre a alma e por isso é valioso quando está firme em um caminho de autoconhecimento.
O caminho do yoga e autoconhecimento requer disciplina. A disciplina é uma construção. E o caminho do yoga requer também desapego. O desapego é uma desconstrução. No meio desse caminho não raramente nasce a culpa. Se não acordo, não pratico, não faço. O não fazer é também uma desconstrução, principalmente em uma sociedade edificada na produtividade.
De onde vem essa culpa é sempre a minha primeira pergunta. Ela vem de uma construção interna (que aqui podemos chamar de personalidade) ou de uma narrativa externa social? Quando faço as perguntas me sinto mais leve em relação às respostas, sejam quais forem e a partir do que surge, observo. Observo no silêncio porque acredito que internamente os questionamentos todos já estão solucionados e assim sendo, a realidade que existe dentro é descortinada quando o restante se recolhe e me guia para lidar com o que surge.
Se a culpa está lá, reconheço sua existência, afinal em um mundo sem as limitações dos opostos aquilo que não considero bom também faz parte da minha totalidade. Percebendo sua existência consigo colocá-la em um lugar que não invada, não congele e não comande as minhas outras ações.
Reconhecer o sentimento de culpa, mesmo quando reconheço que ele não deveria estar lá é um processo que me ajuda no desenvolvimento de um caminho mais leve. Primeiro em relação à prática de asanas, às minhas disciplinas e depois isso se estende à tantos outros espectros da existên



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